Bate-papo: Passando pela transição (Parte 2)
Oi pessoal!
Durante décadas, as mulheres de cabelo crespo/cacheado têm alisado seus cabelos para se encaixar em um esteriótipo físico que é considerado como normativo, ou seja, cabelos naturalmente lisos - que também eram considerados mais bonitos e esteticamente aceitáveis. Dessa forma, a cultura da escova, chapinha e, consequentemente, dos alisantes e métodos de alisamento, foi se disseminando largamente. O cabelo crespo/cacheado foi renegado pela sociedade e considerado feio.
Além disso, o tamanho do cabelo sempre foi uma questão para as mulheres. A sociedade cultuava os cabelos compridos, julgando quem optava por cortá-los, associando às mulheres de cabelo curto o título de masculinizadas. Com isso, além de terem de alisar os cabelos, nós também tínhamos que deixá-los compridos para nos mantermos "bonitas" e "femininas".
Contudo, ao longo dos últimos anos, isso tem mudado, e cada vez mais mulheres estão se desfazendo da chapinha, dos alisantes e deixando seus cabelos naturais serem o que são. Claro, essa não é uma decisão fácil e leva tempo. Não é só cortar e pronto. Existe toda uma grande decisão a ser tomada ali, afinal, você está lidando com sua imagem, com sua autoestima, e isso repercute em como nos sentimos por dentro, principalmente quando essa referida imagem está indubitavelmente exposta ao escrutínio público.
Hoje é mais do que normal ver mulheres com seus cabelos assumidos, de diferentes cores e tamanhos, mas isso não significa que tenha sido fácil - ou que esteja sendo, para quem está ansiosa pelo crescimento. Não posso falar por mim, porque minha passagem pela transição foi muito tranquila, como mencionei no outro post e conto em mais detalhes na secção Meu Cabelo. Eu estava determinada e, mesmo com alguns resmungos por ter cortado tão curto, não desanimei em um minuto sequer, nem me arrependi. Era o que eu queria e isso era o que contava para mim.
Durante minhas aventuras por grupos de Facebook que se dedicam a falar sobre transição, cabelos crespos e cacheados, autoaceitação, etc., li dezenas de depoimentos de esposas, namoradas, filhas, sobrinhas, irmãs e netas que ouviam coisas absurdas de seus amigos, familiares e cônjuges sobre sua aparência. Mulheres que choraram pela dor de serem rejeitadas pela decisão que tomaram, que tiveram que aturar piadas de mal gosto e frases como "você fica melhor de cabelo liso", "faz uma escova nesse cabelo", "você ficou horrorosa de cabelo curto", fora os olhares de desprezo e reprovação.
Eu não posso imaginar o quanto isso deve ter machucado, o quanto deve ter doído e lamento que todas elas tenham passado por isso. Infelizmente, esse é o reflexo de uma cultura que está fortemente arraigada em nossa sociedade. Um pensamento retrógrado que faz muitas desistirem da transição, e que podem desencadear problemas ainda mais sérios como estresse e depressão.
Se você, que está lendo esse texto agora, está passando por isso, saiba que não está sozinha, e que tem muitas pessoas que irão te apoiar. Entre em grupos de Facebook, busque inspirações em redes sociais, leia depoimentos de pessoas que passaram pela transição, procure terapia se precisar, mas não sinta, nem por um segundo, que você é obrigada a passar por tamanha humilhação. Lembre-se de quem você é e de que tem muito valor. Que seu cabelo é parte de você, e que a decisão é sempre, sempre sua. De mais ninguém. Concentre-se em quem te apoia, em quem te respeita. Essas sim, são pessoas cuja opinião vale levar em consideração. Certo? Certo.
Espero que esse texto possa ajudar vocês de alguma forma.
No nosso próximo post, vamos falar sobre a questão financeira: quanto custa manter o método escolhido para passar pela transição? Em tempos de crise, é bem importante falar disso, né? E vamos!
Um grande beijo e até :*
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Nessa segunda parte, vamos falar sobre os efeitos da transição na autoestima. Aqui, trataremos unicamente da autoestima da mulher, já que o ato de cortar o cabelo no caso dela é visto com menos "normalidade" do que no caso do homem.
Cada mulher utiliza o método que melhor se aplica a ela para passar pela transição; e isso tem a ver com questões sociais (a forma como as pessoas vão vê-la), financeiras (de quanto ela dispõe para manter o método escolhido) e psicológicas (os efeitos internos que ambos os fatores causaram).
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| Cheguei a usar o cabelo escovado algumas vezes antes de decidir cortar. |
Durante décadas, as mulheres de cabelo crespo/cacheado têm alisado seus cabelos para se encaixar em um esteriótipo físico que é considerado como normativo, ou seja, cabelos naturalmente lisos - que também eram considerados mais bonitos e esteticamente aceitáveis. Dessa forma, a cultura da escova, chapinha e, consequentemente, dos alisantes e métodos de alisamento, foi se disseminando largamente. O cabelo crespo/cacheado foi renegado pela sociedade e considerado feio.
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| Antes de fazer a progressiva, usava meus cabelos sempre escovados |
Além disso, o tamanho do cabelo sempre foi uma questão para as mulheres. A sociedade cultuava os cabelos compridos, julgando quem optava por cortá-los, associando às mulheres de cabelo curto o título de masculinizadas. Com isso, além de terem de alisar os cabelos, nós também tínhamos que deixá-los compridos para nos mantermos "bonitas" e "femininas".
Contudo, ao longo dos últimos anos, isso tem mudado, e cada vez mais mulheres estão se desfazendo da chapinha, dos alisantes e deixando seus cabelos naturais serem o que são. Claro, essa não é uma decisão fácil e leva tempo. Não é só cortar e pronto. Existe toda uma grande decisão a ser tomada ali, afinal, você está lidando com sua imagem, com sua autoestima, e isso repercute em como nos sentimos por dentro, principalmente quando essa referida imagem está indubitavelmente exposta ao escrutínio público.
Hoje é mais do que normal ver mulheres com seus cabelos assumidos, de diferentes cores e tamanhos, mas isso não significa que tenha sido fácil - ou que esteja sendo, para quem está ansiosa pelo crescimento. Não posso falar por mim, porque minha passagem pela transição foi muito tranquila, como mencionei no outro post e conto em mais detalhes na secção Meu Cabelo. Eu estava determinada e, mesmo com alguns resmungos por ter cortado tão curto, não desanimei em um minuto sequer, nem me arrependi. Era o que eu queria e isso era o que contava para mim.
Durante minhas aventuras por grupos de Facebook que se dedicam a falar sobre transição, cabelos crespos e cacheados, autoaceitação, etc., li dezenas de depoimentos de esposas, namoradas, filhas, sobrinhas, irmãs e netas que ouviam coisas absurdas de seus amigos, familiares e cônjuges sobre sua aparência. Mulheres que choraram pela dor de serem rejeitadas pela decisão que tomaram, que tiveram que aturar piadas de mal gosto e frases como "você fica melhor de cabelo liso", "faz uma escova nesse cabelo", "você ficou horrorosa de cabelo curto", fora os olhares de desprezo e reprovação.
Eu não posso imaginar o quanto isso deve ter machucado, o quanto deve ter doído e lamento que todas elas tenham passado por isso. Infelizmente, esse é o reflexo de uma cultura que está fortemente arraigada em nossa sociedade. Um pensamento retrógrado que faz muitas desistirem da transição, e que podem desencadear problemas ainda mais sérios como estresse e depressão.
Se você, que está lendo esse texto agora, está passando por isso, saiba que não está sozinha, e que tem muitas pessoas que irão te apoiar. Entre em grupos de Facebook, busque inspirações em redes sociais, leia depoimentos de pessoas que passaram pela transição, procure terapia se precisar, mas não sinta, nem por um segundo, que você é obrigada a passar por tamanha humilhação. Lembre-se de quem você é e de que tem muito valor. Que seu cabelo é parte de você, e que a decisão é sempre, sempre sua. De mais ninguém. Concentre-se em quem te apoia, em quem te respeita. Essas sim, são pessoas cuja opinião vale levar em consideração. Certo? Certo.
Espero que esse texto possa ajudar vocês de alguma forma.
No nosso próximo post, vamos falar sobre a questão financeira: quanto custa manter o método escolhido para passar pela transição? Em tempos de crise, é bem importante falar disso, né? E vamos!
Um grande beijo e até :*
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